Conteúdos e materiais
Causas, Tipos e Quando se Preocupar
Por Dr. Umberto Amsei | Urologista e Uropediatra em São Paulo
Se você já se pegou pesquisando sobre “xixi na cama”, “criança que faz xixi na cama” ou simplesmente “enurese”, saiba que está no lugar certo. Neste blog post, o Dr. Umberto Amsei — Urologista e Uropediatra referência em São Paulo, com formação pela Escola Paulista de Medicina/UNIFESP — responde de forma clara, completa e cientificamente embasada tudo o que você precisa saber sobre a enurese.
A enurese é uma condição muito mais comum do que se imagina e afeta crianças, adolescentes e até adultos, causando impacto direto na autoestima, nas relações sociais e na qualidade de vida. Entender o que é a enurese, seus tipos, suas causas e quando buscar tratamento especializado é o primeiro passo para superar esse desafio.
A palavra enurese vem do grego: o prefixo en- (“para dentro”) combinado com ourein (“urinar”), formando um termo que descreve exatamente o que acontece — a emissão involuntária de urina. Mas a enurese não é uma novidade da medicina moderna. Há registros da condição no Papiro de Ébers, documento médico egípcio datado de 1550 a.C., o que comprova que a enurese acompanha a humanidade há milênios.
Do ponto de vista clínico, a enurese é definida como a perda involuntária de urina durante o sono em crianças com idade igual ou superior a 5 anos, ocorrendo pelo menos duas vezes por semana, por um período mínimo de três meses consecutivos. Essa definição, estabelecida pelo DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), diferencia a enurese de episódios isolados, que podem acontecer mesmo em crianças sem nenhum problema de saúde.
A enurese é muito mais prevalente do que a maioria das famílias imagina. Estima-se que a condição afete entre 10% e 15% das crianças aos 6 anos de idade, chegando a 5% entre as crianças com 10 anos, e permanecendo em até 2% dos adolescentes e adultos jovens. Isso significa que, em uma sala de aula com 30 crianças, é provável que 3 ou 4 delas convivam com a enurese — muitas vezes em silêncio e com vergonha.
Um ponto essencial: a enurese não é frescura, preguiça ou falta de atenção da criança. Na grande maioria dos casos, é uma patologia médica reconhecida, com causas multifatoriais que envolvem aspectos genéticos, fisiológicos e, em alguns casos, emocionais. Compreender isso é fundamental para que pais e responsáveis não punam a criança com enurese, mas busquem o suporte médico adequado.
Nem toda enurese é igual. Os especialistas classificam a enurese de diferentes formas, e entender essas diferenças é essencial para que o tratamento seja direcionado corretamente.
A enurese primária ocorre quando a criança nunca chegou a estabelecer controle urinário completo durante a noite. Desde pequena, a criança com enurese primária sempre molhou a cama, sem jamais ter tido um período seco prolongado. Esse é o tipo mais comum de enurese e está fortemente associado a fatores genéticos e ao ritmo de maturação do sistema nervoso central.
Já a enurese secundária é aquela que surge após um período de pelo menos 6 meses de controle urinário completo. Quando uma criança que já havia conquistado a continência urinária volta a fazer xixi na cama, isso é classificado como enurese secundária. Esse tipo de enurese levanta maior suspeita de uma causa subjacente — como infecção urinária, diabetes, distúrbio emocional, estresse — e exige investigação médica mais detalhada.
A enurese monossintomática é a forma mais conhecida e frequente da condição. Nela, a perda involuntária de urina acontece exclusivamente durante o sono, sem que a criança ou o adulto perceba. Ocorre sem outros sintomas urinários, como urgência urinária, aumento de frequência e outros sinais urinários.
Esse, é um quadro menos comum, mas igualmente importante. Nela, os episódios de perda urinária involuntária acontecem durante o dia, enquanto a criança está acordada. A enurese diurna quase sempre aponta para uma disfunção miccional que precisa ser avaliada por um urologista pediátrico especializado.
A enurese é uma condição multifatorial. Raramente há uma única causa isolada — na maioria dos casos, diferentes fatores se combinam para gerar o problema. Conhecer as causas da enurese é fundamental para que o tratamento seja eficaz e direcionado.
A genética tem papel central na enurese. Quando um dos pais teve enurese na infância, o filho tem aproximadamente 40% de chance de desenvolver a mesma condição. Se ambos os pais tiveram enurese, esse risco sobe para mais de 70%. Isso demonstra que a enurese tem forte caráter hereditário e não deve ser vista como descuido dos pais ou da criança.
Muitas crianças com enurese são dormidoras muito profundas. Elas não conseguem acordar quando a bexiga está cheia durante a noite, o que resulta nos episódios de enurese. Esse padrão de sono diferenciado contribui diretamente para o quadro de enurese noturna.
Em condições normais, o organismo produz mais hormônio antidiurético (ADH) durante a noite, o que reduz a produção de urina. Algumas crianças com enurese podem produzir menos ADH durante o sono, gerando maior volume urinário noturno — um dos mecanismos fisiopatológicos mais estudados da enurese.
A bexiga hiperativa é outra causa comum de enurese. Nesse caso, a bexiga se contrai de forma involuntária antes de estar completamente cheia, gerando urgência miccional, aumento de frequência e, nos casos mais graves, perdas diurnas e noturnas.
Poucos sabem, mas a constipação intestinal é um fator de risco relevante para a enurese. O intestino cheio exerce pressão sobre a bexiga, reduzindo sua capacidade funcional e favorecendo os episódios de enurese. Tratar a constipação faz parte do manejo completo da enurese.
Embora a enurese não seja, na maioria dos casos, de origem puramente emocional, fatores como estresse, ansiedade, mudanças de rotina e traumas podem desencadear ou agravar a enurese — especialmente a enurese secundária. Estudos mostram que entre 20% e 40% das crianças com enurese não monossintomática apresentam condições psicológicas associadas, como TDAH, depressão ou transtornos de ansiedade.
O diagnóstico da enurese começa com uma consulta detalhada com um urologista especializado. Durante a avaliação, o médico coleta informações completas sobre o histórico da criança: quando a enurese começou, com que frequência ocorre, se há episódios diurnos, se existe urgência miccional, histórico familiar de enurese, hábitos alimentares, funcionamento intestinal e aspectos emocionais.
Uma das ferramentas mais valiosas no diagnóstico da enurese é o diário miccional, em que a família registra, por alguns dias, os horários em que a criança urina, o volume de cada micção, os episódios de enurese e o consumo de líquidos. Esse registro permite que o urologista identifique padrões importantes da enurese.
A escolha dos exames é sempre individualizada e orientada pelo especialista, levando em conta o histórico e os sintomas específicos de cada caso de enurese.
Essa é uma das dúvidas mais frequentes entre os pais de crianças com enurese. A resposta é: não espere. Quanto mais cedo a enurese for avaliada por um especialista, maiores as chances de um tratamento eficaz e de menor impacto emocional para a criança.
⚠️ Sinais de Alerta — Busque o especialista se a enurese vier acompanhada de:
O Dr. Umberto Amsei é Urologista e Uropediatra com formação e residência pela Escola Paulista de Medicina/UNIFESP, fellowship em Urologia Pediátrica pela mesma instituição e observership no Texas Children's Hospital, em Houston (EUA). Com atuação nos Hospitais Albert Einstein, Sírio-Libanês e Hospital Infantil Sabará, o Dr. Umberto Amsei reúne experiência clínica e científica de alto nível para diagnosticar e tratar a enurese em crianças, adolescentes e adultos em São Paulo.
O tratamento da enurese é individualizado e depende do tipo de enurese, das causas identificadas, da idade do paciente e do impacto que a enurese está causando na vida da criança e da família. O urologista pediátrico adota uma abordagem em etapas, iniciando pelas medidas comportamentais e avançando para tratamentos farmacológicos ou cirúrgicos quando necessário.
O alarme de enurese (ou alarme de umidade) é uma das abordagens mais eficazes no tratamento da enurese monossintomática. O dispositivo detecta a umidade assim que as primeiras gotas de urina são liberados e emite um sinal que desperta a criança. Com o condicionamento, o cérebro aprende a acordar antes que a perda de urina ocorra. O uso contínuo do alarme de enurese por pelo menos 3 meses apresenta altas taxas de sucesso.
Quando as medidas comportamentais e o alarme de enurese não são suficientes, o urologista pediátrico pode indicar tratamento farmacológico. O medicamento mais utilizado no tratamento da enurese noturna é a desmopressina, análogo sintético do hormônio ADH, que reduz a produção de urina durante a noite. Outros fármacos, como anticolinérgicos, podem ser indicados quando a enurese está associada à bexiga hiperativa. Toda medicação para enurese deve ser prescrita por um médico especialista.
O uso de fisioterapia pélvica infantil, com tratamentos associados a eletroestimulação, biofeedback e reeducação do assoalho pélvico têm evidências de grandes resultados para crianças com enurese não monossintomática, mas são de grande valia para as monossintomática.
Sim. O impacto emocional da enurese é real, significativo e muitas vezes subestimado. A enurese pode causar sentimentos de vergonha, culpa, inferioridade e medo — especialmente quando a criança começa a frequentar ambientes sociais como escolas, colônias de férias e festas com pernoite.
Estudos científicos mostram que entre 20% e 40% das crianças com enurese apresentam condições psicológicas associadas, como TDAH, transtorno desafiador opositivo, depressão e transtornos de ansiedade. Muitas vezes é a enurese que, sem tratamento, contribui para o surgimento ou o agravamento dessas condições.
O apoio familiar é um dos pilares do tratamento da enurese. Pais que compreendem a natureza involuntária da enurese reagem com mais empatia e paciência, o que faz toda a diferença na evolução da criança. Nunca puna, grite ou constranja a criança por causa da enurese — esse comportamento agrava o quadro emocional e dificulta a resposta ao tratamento da enurese.
O Dr. Umberto Amsei orienta as famílias de seus pacientes com enurese a criar um ambiente de acolhimento e reforço positivo. Quando necessário, a criança com enurese pode se beneficiar do acompanhamento conjunto com um psicólogo infantil, garantindo um cuidado integral que vai além do aspecto físico da enurese.
Essa é uma das perguntas que os pais mais fazem ao Dr. Umberto Amsei sobre a enurese: “Doutor, isso passa sozinho?” A resposta honesta é: depende.
A enurese tem taxa de resolução espontânea de aproximadamente 15% ao ano. Muitas crianças superam a enurese sem qualquer intervenção médica, à medida que o sistema nervoso e a bexiga amadurecem. No entanto, a perspectiva de “esperar para ver” pode ter um custo alto — especialmente quando a enurese está gerando sofrimento emocional e impacto social.
O Dr. Umberto Amsei recomenda iniciar o tratamento da enurese sempre que:
Com o tratamento adequado e o suporte de um urologista especializado em enurese, a grande maioria dos pacientes alcança a continência urinária completa.
O fundamental é que a enurese não seja negligenciada nem tratada com vergonha dentro de casa. A enurese tem solução. E o Dr. Umberto Amsei está em São Paulo para ajudar sua família a encontrá-la.
Chegamos ao fim de mais um conteúdo desenvolvido pelo Dr. Umberto Amsei. Neste blog post, falamos sobre o que é enurese e a origem do seu nome, as diferenças entre enurese primária, secundária, mono e não monossintomática, as principais causas da enurese (genética, sono profundo, produção reduzida de ADH, bexiga hiperativa, constipação e fatores emocionais), como o médico diagnostica a enurese e quais exames podem ser solicitados, quando levar o filho a um urologista pediátrico por causa da enurese, os tratamentos disponíveis para a enurese (medidas comportamentais, alarme, medicamentos e cirurgia), o impacto emocional da enurese no desenvolvimento da criança, e o prognóstico da enurese a longo prazo.
Tem dúvidas sobre enurese? Agende sua consulta com o Dr. Umberto Amsei em São Paulo
Entre em contato com o Dr. Umberto Amsei para tirar suas dúvidas sobre enurese em São Paulo e agendar uma consulta com o especialista em Urologia Pediátrica e Adulta.
Endereço: Rua Urussuí, 125 - cj. 33 e 34 - Itaim Bibi, São Paulo - SP, 04542-050
Telefone: (11) 96917-9187
Conteúdo desenvolvido pelo Dr. Umberto Amsei — Urologista e Uropediatra em São Paulo. As informações deste blog post sobre enurese têm caráter exclusivamente educativo e não substituem a avaliação médica individualizada.
O que é Enurese?
